
Em síntese
Leopold Szondi propôs que escolhas, conflitos e repetições também seriam atravessados por um inconsciente familiar. Sua análise do destino procurava transformar heranças vividas como compulsão em possibilidades reconhecidas e escolhidas. Na clínica contemporânea, essa perspectiva pode inspirar perguntas sobre história familiar, identificações e padrões relacionais — mas não deve ser confundida com determinismo genético. O Teste de Szondi tem importância histórica e limitações psicométricas relevantes, não devendo sustentar diagnósticos isoladamente.
Por que alguém se apaixona repetidamente por pessoas parecidas? Por que certas profissões atravessam gerações? Por que um sujeito parece reconstruir, sem perceber, conflitos que já marcaram a vida de seus pais ou avós?
Essas perguntas aparecem com frequência na clínica. Muito antes de expressões como “transgeracional” e “transmissão psíquica” ganharem circulação ampla, Leopold Szondi tentou organizá-las em uma teoria própria. Chamou de análise do destino a investigação das forças herdadas, relacionais e subjetivas que participariam das escolhas humanas.
Szondi não entendia destino apenas como fatalidade. Seu problema era justamente descobrir se a pessoa poderia reconhecer as possibilidades recebidas de sua história e deixar de vivê-las como uma ordem invisível. Essa tensão entre repetição e liberdade continua clinicamente fecunda — desde que suas hipóteses biológicas sejam lidas à luz dos conhecimentos e limites atuais.
1. Quem foi Leopold Szondi?
Leopold Szondi nasceu em 11 de março de 1893, como Lipót Sonnenschein, em Nyitra, cidade então pertencente ao Império Austro-Húngaro e atualmente chamada Nitra, na Eslováquia. Sua família judia mudou-se para Budapeste em 1898. O pai, Abraham, era sapateiro e estudioso de textos religiosos; Szondi mais tarde reconheceria a importância dessa presença em sua formação.
Em 1911, iniciou o curso de Medicina em Budapeste e adotou o sobrenome Szondi. A Primeira Guerra Mundial interrompeu seus estudos: ele atuou no serviço médico da linha de frente antes de concluir a formação, em 1919, especializando-se em neurologia e psiquiatria.
Nos anos seguintes, trabalhou com o médico e psicólogo experimental Pál Ranschburg. Em 1927, tornou-se professor e diretor de um laboratório estatal de psicopatologia e psicoterapia ligado à educação especial. Ali reuniu médicos, psicólogos, pedagogos e outros profissionais para estudar crianças, famílias, constituição física, desenvolvimento e sofrimento psíquico.
Seu percurso acadêmico inicial estava profundamente ligado à genética e à medicina constitucional de sua época. Estudos de genealogias, doenças e escolhas de parceiros formaram o terreno no qual surgiria a análise do destino. Em 1937, publicou Analysis of Marriages; em 1944, apareceu a primeira edição de Schicksalsanalyse, obra que examinava escolhas no amor, na amizade, na profissão, na doença e na morte.
2. Perseguição, Bergen-Belsen e exílio
A história de Szondi não pode ser separada da Europa que tentou transformar ancestralidade em sentença. Em 1941, leis antissemitas o afastaram de seus cargos públicos e interromperam o funcionamento de seu laboratório. Em junho de 1944, ele, sua esposa Lili e os filhos Vera e Péter foram deportados para Bergen-Belsen.
A família deixou o campo no final daquele ano, como parte da chamada operação Kasztner, e alcançou a Suíça. Szondi passou brevemente por uma clínica em Prangins e, depois, estabeleceu-se em Zurique, onde retomou a prática, a escrita, a supervisão e a formação de profissionais. A sequência biográfica é documentada pela Deutsche Biographie.
Seria simplificador afirmar que a experiência da perseguição “produziu” sua teoria, cujas raízes eram anteriores. Ainda assim, há uma tensão incontornável: um autor interessado em herança e destino viveu em uma época na qual teorias de raça e hereditariedade foram mobilizadas para retirar direitos, perseguir e exterminar pessoas.
Essa tensão exige uma leitura dupla. É preciso compreender Szondi historicamente e, ao mesmo tempo, recusar qualquer uso de sua obra que naturalize hierarquias, estigmas ou destinos biológicos inevitáveis.
3. O que é a análise do destino?
A análise do destino é uma psicologia profunda orientada por uma pergunta: como as possibilidades herdadas e inconscientes participam das escolhas pelas quais uma vida toma forma?
Szondi procurou situar sua proposta em diálogo com Freud e Jung. Freud havia descrito o inconsciente pessoal, formado por conflitos, desejos, fantasias e experiências da história do sujeito. Jung desenvolvera a ideia de inconsciente coletivo. Szondi acrescentou um terceiro campo: o inconsciente familiar.
Para ele, os antepassados não permaneceriam apenas em lembranças e narrativas. Tendências familiares buscariam formas de expressão em escolhas afetivas, amizades, vocações, sintomas e modos de enfrentar a vida. Sua obra original, Schicksalsanalyse, mostra a amplitude — e também a ambição — dessa hipótese.
A palavra “destino”, portanto, não indicava somente acontecimentos externos. Designava a configuração resultante de heranças, ambiente social, relações, impulsos e participação do eu. A pessoa não começaria do zero, mas também não precisaria terminar no ponto para o qual suas repetições pareciam conduzi-la.
4. O inconsciente familiar
O inconsciente familiar seria o campo no qual possibilidades ancestrais permanecem ativas sem serem claramente reconhecidas. Em termos szondianos, a família transmite mais do que bens, histórias conscientes e sobrenomes: transmite também tendências que podem reaparecer sob novas formas.
Esse conceito ajuda a formular perguntas clínicas importantes:
- Quais papéis se repetem entre as gerações?
- Quem pode desejar e quem precisa renunciar?
- Que profissões são celebradas, proibidas ou tratadas como obrigação?
- Como a família compreende amor, sucesso, fraqueza, cuidado e autoridade?
- Quais acontecimentos podem ser lembrados e quais permanecem cercados de silêncio?
- Com quem a pessoa se identifica quando sofre, escolhe ou entra em conflito?
Hoje, não precisamos aceitar toda a explicação biológica de Szondi para reconhecer que famílias organizam posições subjetivas. Uma criança aprende, muito antes de formular teorias, quem recebe atenção, como conflitos são resolvidos, o que ameaça o pertencimento e quais versões de si parecem aceitáveis.
O artigo sobre Ubuntu, pertencimento e saúde mental oferece outro ângulo para essa questão: ninguém se constitui fora das relações, embora pertencer não deva significar ser inteiramente definido pelo coletivo.
5. Genotropismo: uma hipótese histórica que exige cautela
Szondi chamou de genotropismo a suposta atração entre pessoas portadoras de disposições hereditárias iguais ou relacionadas. Essa atração explicaria, segundo ele, escolhas de parceiros, amigos, profissões e até certas formas de adoecimento.
A hipótese nasceu de estudos genealógicos e da genética disponível na primeira metade do século XX. Entretanto, não corresponde ao modo como a genética comportamental, a psiquiatria ou a psicologia contemporâneas explicam relações humanas complexas. Não existe base para deduzir, a partir de uma escolha amorosa ou profissional, a presença de um gene específico que estaria procurando outro gene.
História familiar pode ser clinicamente relevante. Predisposições biológicas também podem participar de determinados transtornos. Mas risco não é destino, e fenômenos psicológicos resultam de interações entre múltiplos fatores biológicos, relacionais, sociais, culturais e históricos.
A leitura contemporânea mais responsável não converte genotropismo em fato científico. Ela preserva a pergunta que o motivou: por que certas escolhas parecem simultaneamente íntimas, livres e estranhamente familiares?
6. Destino compulsório e destino escolhido
Uma das contribuições mais férteis de Szondi é a distinção entre destino compulsório e destino escolhido.
No destino compulsório, possibilidades familiares são vividas como repetição sem autoria. A pessoa não percebe o padrão, acredita que “sempre acontece assim” e encontra diferentes caminhos para chegar a uma posição semelhante. Muda o parceiro, mas preserva a mesma relação com abandono; muda de emprego, mas reconstrói a mesma submissão; tenta afastar-se da família, porém continua organizando a vida em resposta a ela.
Destino escolhido não significa controlar todos os acontecimentos nem libertar-se completamente da herança. Significa ampliar a participação do eu: reconhecer tendências, elaborar identificações, tolerar conflitos e decidir o que será continuado, transformado ou interrompido.
Essa formulação aproxima Szondi de uma ideia clínica essencial: liberdade psicológica não é ausência de determinação. É a capacidade crescente de relacionar-se com aquilo que nos determina.
7. O Teste de Szondi
O nome de Szondi ficou conhecido principalmente pelo teste projetivo que criou. Em sua forma clássica, a pessoa recebia séries de retratos de pacientes psiquiátricos e indicava as imagens consideradas mais simpáticas e antipáticas. As escolhas seriam utilizadas para construir um perfil de fatores pulsionais.
O instrumento tem valor para a história do psicodiagnóstico e para a compreensão do sistema teórico szondiano. Isso, contudo, não equivale a dizer que ele possua validade suficiente para diagnosticar personalidade, transtornos ou supostas tendências hereditárias.
Uma revisão publicada no Psychological Bulletin já concluía, em 1953, que a validade de suas interpretações permanecia indeterminada. Estudos posteriores continuaram apontando falta de dados psicométricos e necessidade de extrema cautela; uma investigação sobre uso na avaliação da psicopatia recomendou prudência e replicação antes de qualquer conclusão, como mostra o artigo publicado nos Annales Médico-Psychologiques.
Uma distinção necessária
Utilizar conceitos de Szondi para formular perguntas sobre repetições familiares não é o mesmo que aplicar o Teste de Szondi como diagnóstico. Um instrumento psicológico precisa demonstrar validade, precisão e adequação à finalidade e ao contexto em que será usado.
8. Como incorporar Szondi à clínica contemporânea?
A incorporação mais cuidadosa ocorre no nível da formulação clínica: ideias que ajudam a perguntar, organizar hipóteses e escutar. Elas não substituem avaliação, critérios diagnósticos nem instrumentos validados.
Construir uma história familiar, não uma árvore de culpados
Um genograma pode registrar relações, rupturas, migrações, mortes, adoecimentos, profissões e acontecimentos significativos ao longo das gerações. Seu objetivo não é encontrar “o ancestral responsável”, mas observar contextos e padrões que talvez não apareçam em uma narrativa linear.
Investigar escolhas recorrentes
Quando diferentes relações terminam do mesmo modo, a pergunta não precisa ser “por que você escolhe errado?”. Pode ser: “o que se torna familiar nessa posição?”, “que tipo de vínculo parece reconhecível, mesmo quando faz sofrer?” ou “o que mudaria em sua identidade se você escolhesse de outra maneira?”.
Escutar mandatos e lealdades
Algumas pessoas vivem sob regras nunca declaradas: é preciso cuidar de todos; superar os pais é traição; homens não demonstram fragilidade; mulheres precisam manter a família unida; determinada profissão garante dignidade; falar sobre violência destrói o pertencimento.
Essas regras podem ser transmitidas por palavras, silêncios, recompensas e punições. Reconhecê-las não obriga ao rompimento familiar. Permite avaliar o preço de obedecer, desobedecer ou transformar cada mandato.
Diferenciar identificação de condenação
Ter familiares com depressão, dependência, violência ou suicídio não condena alguém ao mesmo percurso. A formulação clínica precisa evitar profecias autorrealizáveis e estigmas. No guia sobre tipos, sintomas e tratamento da depressão, mostramos que história familiar pode aumentar vulnerabilidade sem funcionar como sentença.
Observar o padrão na relação terapêutica
As posições familiares podem reaparecer na terapia: esperar julgamento, esconder necessidades, testar abandono, buscar aprovação ou transformar o profissional em autoridade absoluta. A repetição no vínculo terapêutico não serve para provar uma teoria sobre antepassados, mas pode tornar visível uma forma atual de relacionar-se.
9. Uma vinheta clínica fictícia
Imagine uma pessoa que procura terapia após abandonar o terceiro curso universitário. Ela diz que “não consegue terminar nada”, embora suas notas sejam boas. Ao reconstruir a história familiar, surge um padrão: o avô trabalhou desde cedo e não pôde estudar; o pai tornou-se o primeiro graduado da família e escolheu a profissão que o avô admirava; a paciente também escolheu esse campo, recebendo grande reconhecimento familiar.
Quando se aproxima da conclusão, entretanto, aparece ansiedade intensa. Formar-se significa realizar o projeto familiar, mas também perceber que não deseja exercê-lo. Abandonar o curso preserva indefinidamente duas possibilidades: continua sendo a promessa da família e evita declarar um desejo diferente.
Uma leitura determinista diria que ela repete um destino herdado. Uma leitura clínica mais útil perguntaria como reconhecimento, culpa, gratidão e autonomia se organizaram nessa escolha. O trabalho não seria convencer a concluir ou desistir, mas ajudá-la a sustentar o conflito necessário para escolher com maior autoria.
O processo pode incluir pensamentos repetitivos sobre decepcionar os pais. O artigo sobre ruminação mental mostra como a tentativa de obter certeza absoluta pode adiar indefinidamente uma ação importante.
10. Diálogos com psicanálise, abordagens sistêmicas e cultura
Na psicanálise, Szondi se aproxima da investigação de identificações, compulsão à repetição, transmissão psíquica e conflitos entre desejo e pertencimento. Abordagens sistêmicas oferecem instrumentos para observar padrões familiares, fronteiras, alianças e ciclos de vida. Estudos contemporâneos sobre trauma e desenvolvimento também examinam como ambientes familiares afetam regulação emocional, crenças e relações.
Essas aproximações não tornam as teorias equivalentes. “Inconsciente familiar”, aprendizagem relacional, narrativa transgeracional, hereditariedade e epigenética pertencem a níveis explicativos diferentes. Usar uma palavra atual para validar retrospectivamente Szondi apagaria diferenças importantes de método e evidência.
A cultura também precisa entrar na formulação. Família não possui uma forma universal, e autonomia não significa a mesma coisa em todos os contextos. O artigo sobre Édipo africano, psicanálise e cultura discute os riscos de transformar uma experiência europeia de parentesco em modelo obrigatório para toda subjetividade.
11. Os limites éticos e científicos da obra de Szondi
Uma leitura responsável precisa reconhecer pelo menos quatro limites.
- Determinismo biológico: escolhas complexas não podem ser deduzidas diretamente de genes ou genealogias.
- Contexto histórico: categorias psiquiátricas e concepções de hereditariedade da primeira metade do século XX não podem ser transportadas intactas para a clínica atual.
- Psicometria: o Teste de Szondi não oferece sustentação suficiente para conclusões diagnósticas isoladas.
- Risco moral: falar em escolha de doença ou de morte pode culpabilizar quem sofre se a expressão não for cuidadosamente contextualizada.
Também é inadequado entrevistar uma pessoa e produzir diagnósticos retrospectivos sobre parentes que nunca foram avaliados. A narrativa familiar pertence à experiência do paciente; ela informa como aquela pessoa representa seus vínculos, não fornece acesso transparente à mente dos antepassados.
O mérito atual de Szondi não está em oferecer um mapa biológico comprovado do destino. Está em impedir que tratemos escolhas como acontecimentos completamente isolados da história e, simultaneamente, em propor que herança não precise equivaler a fatalidade.
12. Perguntas frequentes sobre Leopold Szondi
Leopold Szondi era psicanalista?
Szondi foi médico, psiquiatra, psicopatologista e autor de uma escola de psicologia profunda em diálogo com a psicanálise. Sua análise do destino possui conceitos próprios e não é simplesmente uma extensão da teoria freudiana.
O que é o inconsciente familiar?
É o conceito szondiano segundo o qual possibilidades e tendências ligadas aos antepassados participariam inconscientemente das escolhas e repetições de uma pessoa. Hoje, pode inspirar investigação clínica, mas não deve ser tratado como mecanismo genético comprovado.
O que significa análise do destino?
É a proposta de investigar como herança, impulsos, ambiente, relações e escolhas do eu participam da construção de uma vida. Seu horizonte terapêutico é ampliar a passagem de repetições compulsórias para escolhas mais conscientes.
O Teste de Szondi é válido?
O teste possui relevância histórica, mas sua validade interpretativa e seu suporte psicométrico são contestados. Não deve ser utilizado isoladamente para diagnosticar transtornos, personalidade ou tendências hereditárias.
História familiar determina o futuro?
Não. História familiar pode influenciar vulnerabilidades, crenças, vínculos e oportunidades, mas não determina um percurso único. Fatores biológicos, psicológicos, sociais, culturais e escolhas atuais interagem ao longo da vida.
Como as ideias de Szondi podem aparecer na terapia?
Por meio de perguntas sobre repetições, identificações, profissões, vínculos, silêncios, perdas e expectativas familiares. Essas informações compõem uma formulação clínica e não substituem avaliação diagnóstica ou instrumentos validados.
13. Uma biografia sobre a possibilidade de escolher
Leopold Szondi tentou compreender como vidas singulares carregam histórias que começaram antes delas. Sua resposta foi marcada pela genética e pela psiquiatria de seu tempo, o que exige revisão crítica. Mas a pergunta permaneceu: o que fazemos com aquilo que recebemos sem ter escolhido?
Na clínica, essa pergunta pode deslocar dois extremos. De um lado, a fantasia de que somos indivíduos sem passado, inteiramente autores de nós mesmos. De outro, a ideia de que família, diagnóstico ou biologia já escreveram o final.
Entre esses extremos existe trabalho psíquico. Reconhecer uma repetição não garante que ela desapareça; conhecer a história familiar não revela uma causa única. Ainda assim, dar nome ao que parecia destino pode criar o intervalo no qual uma escolha se torna possível.
Você percebe padrões familiares ou relacionais que parecem se repetir, mesmo quando tenta agir de outra maneira?
A psicoterapia pode ajudar a compreender essas repetições sem transformar sua história em condenação.
Este artigo tem finalidade informativa e histórica. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais habilitados.
Referências
Bürgi-Meyer, K. (2013). Szondi, Leopold. Neue Deutsche Biographie, v. 25, p. 747. Deutsche Biographie.
Szondi, L. (1937). Analysis of Marriages: An Attempt at a Theory of Choice in Love. Acta Psychologica, 3, 1–80.
Szondi, L. (1944/2004). Schicksalsanalyse: Wahl in Liebe, Freundschaft, Beruf, Krankheit und Tod. Schwabe. Acervo do Szondi-Institut.
Szondi, L. (1963). Schicksalsanalytische Therapie: Ein Lehrbuch der passiven und aktiven analytischen Psychotherapie. Hans Huber.
Borstelmann, L. J., & Klopfer, W. G. (1953). The Szondi Test: A review and critical evaluation. Psychological Bulletin, 50(2), 112–132. https://doi.org/10.1037/h0058845.
Thiry, B., & Parete, S. (2016). Validité prédictive du test de Szondi dans l’évaluation de la psychopathie. Annales Médico-Psychologiques, 174(6), 456–460. https://doi.org/10.1016/j.amp.2014.12.016.

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